Entenda os fundos de crédito de carbono

Os fundos de sustentabilidade renderam até 69% em 2009 e são uma boa opção para quem quer ganhar dinheiro e investir em empresas verdes

Os bancos estão oferecendo cada vez mais fundos de investimento com foco em sustentabilidade. Desde 2007, foram criados 28 fundos nas categorias governança e ações de sustentabilidade, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Entre eles estão os fundos que incentivam projetos sustentáveis e os que investem no mercado de crédito de carbono. De janeiro a dezembro do ano passado, a rentabilidade desses fundos variou entre 6% e 69%.

Para efeito de comparação, quem aplicou na poupança ganhou 6,49% em 2009 e o Ibovespa, índice da bolsa de valores que serve de referência para a maior parte dos fundos de ações, rendeu 82%. Os fundos verdes são, portanto, uma opção atraente para quem não busca uma rentabilidade agressiva e quer estimular empresas que tenham boas práticas de sustentabilidade.

O Banco do Brasil lançou em 2005 o Fundo Ações Índice de Sustentabilidade Empresarial, cuja carteira é formada por ações de empresas que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da BM&FBovespa. “O investidor enxerga a preocupação ambiental da empresa, acredita que ela será lucrativa e que o preço dos papéis vai subir”, diz Antonio Cássio Segura, gerente executivo da diretoria de varejo do Banco do Brasil (BB).

O fundo tem 3 001 cotistas e patrimônio de 27,8 milhões de reais. A aplicação inicial mínima é de 200 reais e a taxa de administração está em 2,5% ao ano. A rentabilidade acumulada de janeiro a dezembro do ano passado foi de 69%. O BB também tem o Fundo Referenciado DI Social. Nesse fundo, 50% da taxa de administração são destinados aos projetos de inclusão social. O fundo já destinou 8,5 milhões de reais para vários projetos sociais. A rentabilidade dele nos últimos 12 meses terminados em dezembro do ano passado foi de 5,79%. O Itaú Unibanco tem os fundos DI Ecomudança e Renda Fixa Ecomudança, lançados em 2007, que destinam 30% da taxa de administração para projetos de redução da emissão de carbono desenvolvidos por organizações não governamentais.

A rentabilidade do DI Ecomudança foi de 7,37% em 12 meses terminados em dezembro de 2009 e o ganho do Renda Fixa Ecomudança ficou em 8,08%. Apesar de serem fundos conservadores e terem baixo risco de perda de dinheiro, o investidor precisa analisar cada investimento antes de aplicar sua grana. No Brasil, entre os quatro maiores bancos — BB, Bradesco, Grupo Santander e Itaú Unibanco — há dois fundos de crédito de carbono e ambos estão fechados para novas captações. Um deles é o do Itaú Unibanco, lançado em setembro de 2009, o Itaú Índice de Carbono Estratégia Protegida, o primeiro fundo atrelado a um índice de carbono, o Barclays Capital Global Carbon Índex Excess Return Euro. “É um fundo de capital protegido.

Na pior das hipóteses, se o preço da commodity cair, o investidor recebe o que aplicou”, diz Marcello Siniscalchi, gestor do fundo. Só pode aplicar nele quem já tinha investimentos no banco acima de 300 000 reais e a aplicação inicial foi de 30 000 reais. O fundo fechou em novembro de 2009 com captação de 170 milhões de reais e rendeu 0,27% de setembro a dezembro do ano passado. Os investidores não podem fazer resgates por dois anos. O Grupo Santander Brasil lançou em março de 2008 o Fundo Floresta Real, que investe em ativos de renda fixa.

O objetivo do Santander é neutralizar suas emissões de carbono por meio do reflorestamento, que faz parte do programa Floresta Real. O programa ainda precisa da aprovação das Nações Unidas para ser incluído como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e para que o banco possa receber os créditos de carbono.
 
Quem entrou no fundo aplicou inicialmente 25 000 reais e vai esperar até julho de 2011 para resgatar o dinheiro. A rentabilidade do Floresta Real entre janeiro e dezembro do ano passado foi de 9,08%. “Apesar de conservador, o fundo atrai investidores que querem contribuir com a sustentabilidade do planeta”, diz Giovanna Cencini, gerente de produtos do Santander Asset Management.

Os fundos verdes ainda rendem menos do que outros investimentos, mas são uma forma de ajudar o planeta e de estimular mais empresas a se tornarem “verdes”. “Eles aplicam em companhias com boa governança corporativa”, diz Antonio Carlos Araujo,consultor de sustentabilidade da Trevisan.

FONTE: Você S/A

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